Vamos falar sobre prevenção ao suicídio?

Você sabia que o suicídio é hoje a segunda principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos, estando atrás apenas dos acidentes de trânsito? Conheça mais sobre prevenção ao suicídio.

Ainda existe um medo coletivo em se falar sobre o suicídio, mas de uns tempos para cá, especialmente com a campanha Setembro Amarelo, este assunto tem sido tema de inúmeras reportagens, estudos e discussões, possibilitando que as pessoas tenham acesso às informações que contribuem para a diminuição de casos.

E apesar de setembro já ter passado, é sempre importante falar sobre o assunto.

O que é a Campanha Setembro Amarelo?

Dia 10 de setembro é conhecido como Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, proposto em 2003 pela Organização Mundial da Saúde com o objetivo de incentivar ações de conscientização e prevenção do suicídio.

Desde então, diversas atividades são realizadas nesta data em todo o mundo. No Brasil, o Centro de Valorização da Vida (CVV), o Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) criaram em 2015 a campanha Setembro Amarelo, expandindo estas ações para todo o mês de setembro.

Quais são os fatores de risco e de proteção associados ao suicídio?

No Brasil, atualmente 32 pessoas por dia cometem suicídio. Saiba quais são os fatores de risco e de proteção que podem estar associados a ele:

Fatores de Risco

– Ter histórico de suicídio na família;

– Conflitos familiares agudos;

– Baixo nível socioeconômico;

– Morte de alguma pessoa próxima;

– Altos níveis de desesperança;

– Rejeição afetiva/social.

Fatores de Proteção

– Participação em atividades esportivas;

– Rede de apoio de familiares e amigos;

– Ambientes de trocas e conversas que ofereçam suporte em adversidades;

– Acesso ao sistema de saúde;

– Acompanhamento psicológico.

Como ajudar?

Sabemos que a conscientização continua sendo o principal agente de prevenção ao Suicídio. Mas como ajudar quem pensa ou já pensou em suicídio? Será que temos as informações necessárias para um manejo responsável? Aqui vão algumas dicas:

Evite falas moralistas e individualizantes

O suicídio é um fenômeno multifatorial e devemos ter responsabilidade e consciência sobre tudo o que falamos a respeito disso. Precisamos nos atentar para não reduzir este fenômeno a fatores isolados e nem associá-lo à preconceitos ou aspectos morais.

Não patologize o suicídio

O suicídio não é doença! Ainda que haja uma relação do suicídio com alguns transtornos mentais, não podemos reduzir o sofrimento humano ao adoecimento mental. Nem toda pessoa em sofrimento intenso e com comportamento suicida possui transtorno mental, assim como nem toda pessoa que possui um transtorno mental apresentará um comportamento suicida.

Não minimize o sofrimento

Comparar ou questionar o sofrimento só contribui para que o tema seja um estigma social e pode prejudicar ainda mais o indivíduo. Nosso dever é ouvir e respeitar, sem julgamentos ou preconceitos.

Considere o sofrimento dos enlutados

Prevenir o suicídio também é cuidar daqueles que perderam um ente querido pelo suicídio. Dizer, por exemplo, que eles deveriam ter percebido ou que poderiam ter evitado, pode intensificar a culpa já vivida por alguns enlutados. Tome cuidado.

Onde buscar ajuda?

Se você ou alguém que conhece estiver em sofrimento intenso ou crise suicida, entre em contato com o Centro de Valorização da Vida (CVV) no número 188 ou busque um serviço de atendimento em saúde mental na região — no Sistema Público de Saúde indicamos a Unidade Básica de Saúde (UBS) ou o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS).

Quer saber mais?

O Thiago Bloss de Araujo é psicólogo e mestre em Psicologia Social pela Universidade de São Paulo (2016). Atualmente é docente da Universidade Nove de Julho (UNINOVE) e professor convidado do Instituto Vita Alere de Prevenção e Posvenção do Suicídio. Coordena um grupo de apoio a sobreviventes-enlutados por suicídio e supervisiona estágios de prevenção à violência doméstica na Universidade Nove de Julho.

Ele escreveu o artigo “Suicídio LGBTQIA+: do sofrimento ético-político às políticas públicas de prevenção”. E também participou de uma live no YouTube falando sobre Suicidío em segmentos minoritários.

Pra quem se interessar e quiser se aprofundar mais sobre o tema e sobre as questões multifatoriais que podem levar ao suicido, o Thiago também tem um curso no instituto Vitalere de prevenção e pósvenção ao Suicídio que chama “Suicídio, Cultura e Sociedade sobre a determinação psicossocial da morte de si.

Para refletir: Suicídio da população LGBTQIA+

Segundo estudo realizado pela Unicamp, 17% dos brasileiros, em algum momento, pensaram seriamente em dar um fim à própria vida e, desses, 4,8% chegaram a elaborar um plano para isso. Além disso, uma pesquisa da University of Oregon comprovou que pessoas LGBTQIA+ apresentam risco até cinco vezes maior de morrerem por suicídio, que a população geral.

No Brasil de 2017 a 2018 houve um aumento de 43% taxas de suicidio entre a população LGBTQIA+, o que significa que a cada 20 horas alguém morre por suicídio ou é assassinado no Brasil.

Embora setembro seja o mês da conscientização sobre suicídio, não podemos esquecer que o suicídio também acontece em todos os outros meses do ano e que temos papel fundamental na discussão deste tema tão complexo para quebrarmos o estigma e ajudarmos quem precisa.

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