ISA Summit: um resumo de tudo o que rolou

Na semana de 24 de maio realizamos o primeiro evento brasileiro sobre formatos de acesso à educação, e fizemos um resumo dos principais temas abordados para você acompanhar.

Você já deve ter nos visto falando por aqui sobre a nossa atuação com o Income Share Agreement, ou ISA, um modelo de acesso educacional baseado no sucesso compartilhado onde aluno e escola saem ganhando.

Esse modelo é bem conhecido em países como os Estados Unidos e Austrália, por exemplo, e nós aqui da Provi o trouxemos para o Brasil em 2019. De lá para cá, aprendemos muito com todos os desafios de implantar um novo tipo de financiamento estudantil, e hoje já colhemos resultados super positivos – como contribuir para a transformação da carreira de mais de 1500 estudantes junto a diversas instituições de ensino parceiras.

Assim, tendo em mãos tantas experiências e lições valiosas sobre a estruturação e operacionalização do modelo, porque não dividi-las com o mundo? Afinal de contas, o verdadeiro valor do conhecimento está em compartilhá-lo.

Por isso resolvemos promover uma imersão no tema para todas as pessoas interessadas em participar dessa revolução: de 24 a 29 de maio de 2021, realizamos a primeira edição do ISA Summit, evento pioneiro no Brasil sobre esse assunto.

Como foi o ISA Summit

Ninguém melhor do que quem está com a mão na massa e já faz parte dessa estrutura para contar histórias, aprendizados e visões para o futuro, não é mesmo?!

Trouxemos alguns dos principais especialistas do mercado para falar sobre a estrutura do ISA no Brasil e no mundo, meios de pensar a educação, investimentos para a área, processo seletivo, perfis de aluno, empregabilidade e muito mais.

Foram 6 dias de evento repletos de trocas e conexões incríveis, e os feedbacks não poderiam ter sido melhores. É muito satisfatório saber que atingimos a nossa meta de espalhar ainda mais a palavra do ISA e impulsionar a democratização do acesso à educação.

Se você não acompanhou o evento ao vivo, confira aqui as gravações de todas as transmissões. Nós separamos os melhores momentos para te dar uma palhinha do que rolou ao longo dessa semana, e os principais ensinamentos que você pode levar sobre o ISA e acesso educacional. Vem ver:

Dia 1: ISA no Brasil, com Purdue University

Para abrir o evento com chave de ouro, trouxemos a Mary-Claire Cartwright, CIO e Vice-Presidente de ISA na Universidade de Purdue, em Indiana, nos EUA, para contar as experiências com a operação desse modelo por lá. 

Mary-Claire Cartwright, CIO e VP de ISA na Purdue. Fonte: LinkedIn

A Purdue é uma das principais referências em ISA no mundo por ser uma das primeiras universidades a lançar cursos através desse modelo, fora do escopo dos tradicionais bootcamps de tecnologia. Na Purdue, o ISA está disponível para alunos do segundo ao último ano da graduação, que concluem o contrato pagando uma determinada porcentagem de seu salário pós-formatura durante um período definido.

Alguns pontos que debatemos com a Mary foram sobre a importância dos programas de empregabilidade, e você pode conferir um trecho a respeito neste vídeo; e também sobre os principais desafios de manter o programa que, na opinião dela, incluem a captação de recursos para sustentar o programa – assunto que foi o tema do 4º dia do Summit!

Um outro tópico abordado sobre investimentos foi se os investidores se preocupam com os riscos do valor investido não retornar após o término da graduação, visto que os prazos para iniciar o pagamento são bem maiores se comparados com os de cursos livres ou bootcamps, por exemplo. Segundo a Mary, esse risco existe sim, mas os investidores enxergam essa ação como um valor destinado ao impacto social; fator esse que também discutimos com a Positive Ventures e a GFC no 4º dia do evento.

Dia 2: Histórias de quem faz o ISA no Brasil, com Labenu, Resilia, Growdev e Cubos Academy

Após conhecer um breve panorama sobre o funcionamento do ISA fora do Brasil, no segundo dia trouxemos algumas escolas que já são super experts no modelo por aqui para compartilhar insights, aprendizados e conquistas atuando com esse processo.

Conversamos bastante sobre erros e acertos, evoluções, questões de empregabilidade e ainda rolaram dicas para escolas que querem oferecer cursos usando o ISA. Veja alguns destaques:

As oportunidades que o ISA abre para transformar o mercado, segundo José Messias Jr., CEO, founder e professor na Cubos:

“Com o ISA a gente consegue dar acesso a muita gente que tem interesse na área e não teria como entrar nela. A gente trabalha numa área que tem muita oportunidade, que é a de tecnologia, e tem uma gama de profissionais que precisa de uma oportunidade, pessoas que estão sem emprego no momento e que podem ter acesso à educação através desse modelo, é uma coisa que realmente transforma. Isso é o que eu acho mais legal do modelo.”

Os acertos em termos de metodologia e desenho dos cursos para o Bruno Neves, founder da Resilia:

“Desde o início a gente acredita que para formar profissionais de excelência, é muito mais importante trabalhar a parte comportamental e os hábitos desse profissional do que necessariamente a parte técnica, afinal de contas, o que não falta é conteúdo online de graça. A gente fala para os nossos alunos: por que vocês estão aqui? Vocês não estão aqui só para aprender a programar, programar dá para se aprender sozinho. Então vocês estão aqui porque nem sempre dá para aprender sozinho, porque precisa de apoio. Então aí entra essa questão comportamental, a questão de hábito.”

Dicas para uma escola que quer começar a oferecer o ISA, segundo a Jaqueline Michaelsen, head de Pessoas e Cultura na Growdev:

“A primeira coisa é colocar o nosso foco nas pessoas. Precisamos ouvir os nossos alunos muito de perto porque é deles que vem o nosso feedback. Aí tem um foco muito claro nas pessoas, em ter essa relação próxima, ter um vínculo mesmo com o aluno. Uma dica importante é o programa ser voltado para o que o aluno precisa aprender, pensando nos tipos diferentes de aprendizagem e nos tipos diferentes de pessoas que vão vir. Uma outra coisa é fazer uma boa pesquisa e trabalhar muito bem o objetivo. Pensar em qual é o público que eu quero atingir, o que o mercado que eu vou atingir está precisando e não parar de pesquisar, porque os dados se atualizam muito rápido.”

A importância da empregabilidade para Luciano Naganawa, CEO e founder na Labenu:

“A empregabilidade deve ser pensada de ponta a ponta, desde antes de a pessoa se tornar estudante até o pós-curso. Esse é um grande desafio, porque essa pessoa que não faz parte dessa comunidade, desse grupo de pessoas que já está no mercado, pode encontrar dificuldade de continuar e conseguir passar em processos seletivos, se adaptar às empresas e tudo mais. Então, de novo, tem que ter foco na pessoa. Toda escola tem que ter, é essencial, e o ISA tem essa vantagem de tornar tudo mais fácil para essas pessoas.”

Dia 3: Processo seletivo e perfil de aluno, com Kenzie Academy e Galena

No terceiro dia do Summit aprofundamos o assunto da operacionalização do modelo, falando sobre a estruturação dos processos seletivos e da definição dos perfis de alunos que melhor conversam com o ISA. Trouxemos o Otávio Gurgel, CFO e founder na Galena e o Ugo Roveda, COO e co-founder na Kenzie Academy Brasil, para falar desses processos.

Ambas escolas vivem momentos e circunstâncias bem diferentes: enquanto a Kenzie oferece o ISA para cursos de tecnologia e já rodou boas turmas no modelo, a Galena está em sua primeira turma, que é voltada para a área comercial. Assim, rolaram visões bastante complementares sobre esses pontos, veja só:

Como funciona o processo seletivo na Kenzie e quais são os requisitos para participar:

“Hoje o nosso processo começa com um formulário inicial, que é onde a gente vai entender algumas questões do candidato, o interesse na área de programação para entender se fará realmente sentido, até para a pessoa não perder tempo aqui. Depois dessa etapa do formulário, tem um teste de lógica, e depois tem o que chamamos de ‘Discovery Call’, que é uma ligação rápida de algum dos nossos consultores de admissão para bater algumas informações, disponibilidade de horário e equipamentos, e então a parte de assinatura do contrato. Os únicos requisitos para entrar aqui são ter 18 anos ou mais e ter o ensino médio completo. A gente não requer idioma e etc.”

O modelo de sucesso compartilhado faz sentido para todas as pessoas que desejam estudar na Galena?

“Tem aluno que faz sentido colocar para dentro, outros não, só tem algumas coisas muito claras. Uma delas é a pessoa que quer trabalhar depois do programa, ou não só quer, mas precisa, e tem muita gente que se enquadra nessa classificação. Uma característica nossa, que eu acho que é comum: a gente quer pessoas que entendam muito bem o que é o ISA, o que isso significa para elas, o que ela está assinando. De forma geral, pode ser todo mundo.”

Dia 4: Venture Capital para acesso educacional, com Positive Ventures e Global Founders Capital

Lá no primeiro dia comentamos um pouquinho sobre a visão dos fundos de investimento sobre o ISA, então nada melhor do que chamar quem tem propriedade nessa área para contar como realmente funciona na prática.

Conheça alguns dos pontos de vista:

A relevância do ISA para o mercado da educação como um todo para Fabricio Pettená, partner na GFC:

“Esse compartilhamento de risco de fato abre mercado, ele permite que mais gente estude, e isso é fundamental. Se a gente tiver um pensamento de que os recursos são ilimitados, que o Governo deveria fazer tudo e etc, vai ser muito difícil explicar o ISA. O fato é que os recursos são limitados, que quando alguém estuda alguma coisa e depois não tira proveito daquilo, aquilo é um fim. A sociedade, não só a pessoa, não tem o retorno daquele investimento. Então para mim o ISA pode triplicar, quadruplicar o financiamento para a educação, e isso tem um potencial gigantesco.”

Como os fundos enxergam o amadurecimento do setor da educação, para Fabio Kestenbaum, founding partner e Executive Chairman na Positive Ventures:

“Se você me perguntar, ‘Fabio, daqui a dez anos, você quer continuar sendo investidor de impacto?’, eu vou falar não. Eu acho que investimento de impacto é uma fase transitória, assim como consumo consciente, por exemplo. Eu acho que com o ISA é um pouco parecido. A gente precisa falar a respeito, e mostrar como é bom para o país. O modelo tem incentivos positivos para todos os lados, o aluno está incentivado a fazer o curso porque ele vai conseguir o emprego, vai gerar renda, e a escola quer atrair esse aluno e tem uma proposta importante para ela, diminuir o risco, e também está incentivada a se preocupar com a empregabilidade. Eu peguei um dado outro dia, acho que mais de 55% dos estudantes universitários do Brasil desistem no meio do curso. Um, porque eles não conseguem acompanhar, e dois, porque investem, saem de lá e não conseguem emprego. O pessoal da economia chama isso de ‘poverty traps’, que são ciladas econômicas, e o ISA é uma super estratégia para vencer esse ciclo.”

Dia 5: ISA e outras formas de pensar acesso à educação, com Le Wagon, Digital House, Instituto PROA, Toti Diversidade e Tera

Como já vimos, o ISA é um modelo que abrange diversos aspectos e discussões diferentes. Para trazer outros pontos de vista para o debate, no quinto dia convocamos uma super mesa redonda com escolas e instituições do terceiro setor para falar dessa diversidade, e também do que o futuro guarda para a educação e como devemos nos preparar para ele.

Dá uma olhada:

Porque o ISA funciona no Brasil, de acordo com Mathieu Le Roux, co-founder na Le Wagon LatAm:

“Na Europa o ISA não é tão potente porque lá muitos dos sistemas de seguro desemprego enxergam esses bootcamps de reskilling ou para aprender uma nova habilidade como um jeito de economizar, então ao invés de ficar dois anos pagando um curso de um ramo já saturado, eles preferem bancar um Le Wagon da vida e depois de três meses a pessoa já tem emprego, e isso não existe por aqui [no Brasil], as coisas são totalmente diferentes. Aqui, com o ISA, você realmente tem a possibilidade de atingir a população que não tem essa capacidade financeira de arriscar o dinheiro e, portanto, tem esse potencial de transformar vidas.”

Barreiras que dificultam o acesso aos cursos de tecnologia para a Alini Dal Magro, CEO no Instituto PROA:

“Ao mesmo tempo que o mercado de trabalho exige muita formação em tecnologia, muitas pessoas nem sabem que essa é uma possibilidade, ou nem acreditam que essa é uma possibilidade para elas, ainda mais entrando rapidamente na questão da diversidade, quando a gente fala de mulheres, de pessoas negras. Não adianta o mercado de trabalho exigir 240 mil vagas todo ano se as pessoas não sabem quais são as possibilidades, elas nunca vão tentar e nunca vão ter acesso a isso. A gente precisa fazer um trabalho inicial de mostrar que é possível, que qualquer pessoa pode.”

Os desafios do acesso educacional e como superá-los segundo Caio Rodrigues, CEO e founder na Toti:

“Uma dificuldade é conseguir, de fato, enxergar a distância que é o acesso à educação para algumas pessoas. Esse acesso muitas vezes é dificultado principalmente por conta de renda, com certeza. Então o mais importante em ter esse mecanismo vem desde algo mais simples, que é melhorar sua comunicação e mostrar que existe essa possibilidade. Tudo parte de uma mesma coisa, que é facilitar o conhecimento e ter esses mecanismos de acesso, como o ISA.”

Tendências para o futuro do ensino de tecnologia para o Cristiano Santos, COO na Digital House:

“De fato, o mercado muda numa velocidade absurda, o que hoje é uma verdade, amanhã a gente já está voltando aqui para rediscutir. Falava-se muito sobre o mundo VUCA, e aí vem a pandemia e opa! Então, agora a gente está num mundo mais frágil, o mundo é incerto, não linear, incompreensivo. Então essa conexão com o mercado de trabalho tem que traduzir isso. Eu preciso traduzir dentro da metodologia de aula o que vai fazer com que essa pessoa cada vez mais esteja mais preparada para contribuir com os grandes desafios do mundo”.

Reflexões e mudanças a serem trabalhadas para impactar positivamente o mercado conforme o Felipe Fabris, COO e partner na Tera:

“Quando a gente olha pro mercado de trabalho, a gente vê aqui no Brasil, na última década, mais de 10 milhões de pessoas entrando no mercado, mas dessas só 1 em cada 11 tem formação ligada a área de tecnologia. Se a gente se compara com o mundo, essa é uma defasagem gigantesca. Nos EUA esse número é 1 para 5, na Índia, é 1 para 3, e quando a gente dá um olhar mais profundo sobre o tema, além dessa defasagem, falta também inclusão. Dos profissionais de tecnologia do Brasil só 36% são pessoas negras, que é uma diferença muito grande a proporção desse público considerando a população como um todo. Então, uma coisa acaba levando a outra.”

Dia 6: Empregabilidade, desafios e experiência, com Lucas Silva, Marina Isabel e Guilhermina Araújo, alunos de ISA formados em tech

Depois de entender os pontos de vista, reflexões para o futuro e aprendizados com o ISA, encerramos essa semana incrível conversando com alunos formados em tecnologia através do modelo, que compartilharam dicas para quem está começando ou quer migrar de carreira, e as transformações positivas que o financiamento do curso com o ISA trouxe para a carreira. 

Veja os depoimentos:

Para o Lucas, Full Stack Developer na Provi:

“Poder estudar sem muito peso na consciência, sem ficar pensando financeiramente foi  sensacional, e realmente esse fato me possibilitou ter essa oportunidade de mudar de carreira. Às vezes, quando eu paro para refletir sobre, eu dou até um sorriso, assim, aleatório, sabe? Porque eu não teria essa oportunidade se eu não tivesse achado a Provi e conhecido o ISA. Então, para mim, foi um sonho realizado, porque eu não sabia para onde ir até eu achar isso. Foi uma luz no fim do túnel e eu saí correndo atrás.”

Para a Marina, Software Developer na Locaweb:

“Para mim, fez muita diferença porque, realmente, eu não tinha renda. Então isso impactou bastante, porque eu não tinha aquela preocupação de ‘Esse mês eu tenho que pagar’, aquele desespero, o que deu muita tranquilidade ao decorrer do curso. A gente sabe que tem um compromisso depois que o curso acaba, mas essa preocupação não pesava tanto. Para mim o modelo foi muito revolucionário, a gente conseguiu ter uma educação legal e também tranquilidade para poder arcar com o compromisso depois.”

Para a Guilhermina, Full Stack Developer na GKO Informática:

“Como eu estava em transição de carreira, saindo do direito para tecnologia, eu tinha muita insegurança em saber se após o curso, eu conseguiria, de fato, o emprego. Então, ter segurança de que eu só pagaria depois, se eu estivesse empregada, me deu tranquilidade em fazer o curso. Com aquela obrigatoriedade de ‘Esse mês eu tenho que pagar X reais’, você se sente muito pressionado e acaba não aproveitando esse período de estudo para realmente aprender.”


Ufa! E esse foi só um spoiler do que rolou nas mais de 6 horas do ISA Summit que, lembrando, você pode conferir na íntegra, a qualquer momento.

Somos muito gratos a todos que toparam fazer parte dessa semana transformadora sobre o acesso educacional brasileiro. Foi a primeira de muitas, e ano que vem tem mais! Sabemos que juntos conseguiremos democratizar o ensino e assim transformar cada vez mais vidas e sonhos em todo o país.

E você também pode fazer parte desse movimento: conheça o ISA da Provi e saiba como podemos te ajudar a implementar o modelo nos seus cursos.

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Provi