Habilidades de programador: você sabe quais já possui?

Você não sabia, mas já tem habilidades de um programador! Conheça as soft skills e hard skills que fazem de você estar preparado para a área tech.

Texto produzido em parceria com a Logo da EBAC

Mais que capacidade técnica, é preciso ter competências comportamentais para ser um bom profissional nessa área.

Enquanto há uma fila de pessoas na busca de um emprego, há uma outra de vagas em aberto na área de TI. Com a baixa oferta de profissionais qualificados, os salários oferecidos sobem, atraindo os olhares de profissionais de outras áreas considerando reconstruir sua trajetória profissional.

“Na área tech, a gente vê um crescimento muito grande de contratações de profissionais de tecnologia, de todos os níveis. No ano de 2021, foram mais de 122 mil vagas abertas no Brasil para a área de tecnologia. Para este ano, há uma perspectiva de 30% a 40% de aumento nesse número de vagas, sem contar empresas de outros países que desejam contratar profissionais aqui. A gente vê uma grande movimentação das pessoas querendo ingressar na área, seja desenvolvendo softwares, programação e aplicativos ou na área de dados e gestão”, diz Letícia Quevedo, International Tech Recruiter na GeekHunter, empresa especializada no recrutamento e seleção nacional e internacional de profissionais de tecnologia, durante o primeiro intensivo Jornada Dev da EBAC.

Quais as habilidades comportamentais, ou soft skills de um desenvolvedor?

Primeiro, vamos separar as tais habilidades em duas categorias: as comportamentais e as técnicas. Considerando que as técnicas são possíveis de adquirir em um curso de formação, as comportamentais é bem provável que você já tenha aprimorado ao longo da sua vida profissional. E as principais para a profissão na área de tecnologia são:

  • Bom relacionamento interpessoal para o trabalho em equipe
  • Boa comunicação, ou seja, saber se comunicar com clareza e assertividade
  • Ser proativo
  • Ser resiliente e flexível
  • Organização
  • Capacidade analítica e de resolução de problemas

Na lista acima, nos referimos às soft skills, ou seja, as comportamentais. Elas são pertinentes para qualquer área, seja você um publicitário, designer ou mesmo um educador físico que está pensando em migrar para a área de tecnologia. O profissional de programação precisa saber lidar com pessoas, liderar projetos, mediar conflitos, dentre outros desafios.
Independentemente do tamanho do projeto, o fato é que o programador não trabalha sozinho. Ele precisa trocar informações o tempo todo com seus pares, com superiores e colegas de outras áreas. Saber trabalhar em equipe, colaboração e flexibilidade são habilidades conjuntas importantíssimas para o programador, do júnior ao pleno.

“Tenho percebido que é muito importante ter boa comunicação. Geralmente, o programador trabalha em equipe, e as empresas têm trabalhado com squads (metodologia ágil) em que ele faz parte de um projeto. Cada vez mais o trabalho em equipe é importante”, diz Valéria Resende, psicóloga e recruiter, de São Paulo, em entrevista para o blog da EBAC. “Identificar a causa raiz de um problema é outra boa habilidade que toda profissão pede, e no TI é corriqueiro.”

“O conhecimento técnico é muito importante. Fazer freelancers, trabalhos voluntários. A pessoa precisa mostrar que tem vontade de aprender e se desenvolver, que vai atrás de cursos e não fica presa apenas aquilo que é ensinado na faculdade”, diz Valéria.

Outras habilidades não técnicas, que são importantes para um programador e que um profissional de outras áreas pode já ter desenvolvido em sua trajetória profissional anterior, são: 

Dominar a língua inglesa

O inglês é essencial para qualquer programador, já que quase tudo o que o profissional precisa fazer demanda algum conhecimento básico do idioma. A maioria dos livros e tutoriais sobre programação está em inglês, além dos termos técnicos e dos comandos dos códigos.

Saber gerenciar projetos

Conforme o programador sobe de nível, é comum assumir novas responsabilidades. A gestão de projetos tem foco na entrega do produto, mas também no bom andamento das atividades dentre as pessoas da equipe.

Para desenvolver essa competência, é importante ter uma boa organização de suas tarefas. Muitas vezes, o profissional tem que gerenciar mais de um projeto ao mesmo tempo.

Ter capacidade analítica

Um programador precisa saber analisar um problema, seu contexto e ao mesmo tempo considerar as necessidades do usuário para desenvolver as melhores soluções. Ele deve ser capaz de observar e esmiuçar uma situação para, depois, transformá-la em códigos e comandos. 

Quais as habilidades técnicas, ou hard skills que um desenvolvedor precisa ter?

“A gente sabe que a graduação tem um grande peso em outras áreas de trabalho. Em tecnologia percebemos que, embora a graduação tenha sua importância, é possível entrar no mercado de trabalho tendo cursos profissionalizantes, com um bom conhecimento técnico. O que costumamos avaliar em processos seletivos são os projetos que a pessoa candidata já fez, suas atividades desenvolvidas, seu Github. Ter um portfólio atualizado com seus projetos é muito importante para conseguir ingressar no mercado de trabalho, diz Letícia.

Das principais habilidades técnicas a serem desenvolvidas, destacamos: 

Lógica de programação

Dominar as regras e conceitos da lógica computacional irá otimizar o uso dos códigos criados pelo programador.

Arquitetura de sistemas

É essencial conhecer as oportunidades e limitações que a arquitetura escolhida oferece. Essa competência garante que os processos e as soluções tecnológicas atenderão às necessidades da empresa

Dominar mais de uma linguagem

Sabendo mais de uma linguagem e com a experiência, você saberá qual das linguagens atendem melhor o tipo de aplicação que a empresa (ou cliente) deseja construir. Cada linguagem favorece ou desfavorece um conjunto de requisitos para resolver um problema (ou necessidade da empresa).

Como desenvolver as habilidades de programador?

Investir em cursos on-line facilita a rotina, principalmente por democratizar o acesso à educação via internet. É também uma opção bem aceita pelo mercado. Quase metade (43,8%) dos alunos brasileiros agora fazem seus cursos on-line, segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

Existem vários benefícios importantes para o aprendizado virtual, como maior flexibilidade e custos mais baixos. Porém, existem alguns modelos de educação on-line:

Cursos online “on demand”

São aqueles em que você tem todas as aulas já pré-gravadas e pode acessá-las no horário que quiser. Geralmente, com esse modelo, você tem um período para consumir todo o conteúdo e, ao final desse tempo, uma prova para testar o que absorveu.

Cursos online “ao vivo”

Seria o típico modelo EAD (Ensino a Distância). Você não precisa se deslocar até a escola ou universidade mas, como no modelo convencional, você tem um horário certo para logar na internet e assistir o professor ensinar, em tempo real.

Cursos online híbridos

Muitas instituições de ensino também oferecem modelos híbridos, em que você tem uma parte das aulas on demand e uma parte delas (ou então seminários extra) ao vivo. 

De modo geral, ao investir em cursos, você passa a ter uma base mais sólida de conhecimentos e as portas começam a se abrir, às vezes, na empresa em que já trabalha. Carolina Fiordelisio, especialista do centro de carreiras da EBAC, relata que há casos de alunos que, por estarem fazendo cursos, começaram a participar de novos projetos nas empresas onde trabalham. Ela cita o caso de um aluno que atua em uma empresa automobilística e que sempre trabalhou com logística. Por conta de estar fazendo ciências de dados, ele passou a participar de um projeto de data citizens na companhia, ampliando as possibilidades do que pode fazer.

Quais as tendências da área de TI no mundo?

“Hoje temos diferentes áreas em TI. Tem a área de dados, programação, desenvolvimento, algumas áreas em gestão, como Product Manager. Uma das áreas que vemos com maior crescimento atualmente é a de desenvolvimento. Há muitas vagas para pessoas desenvolvedoras, vagas de full stack, front-end, back-end. Existe também a área de dados, que não é de fato dentro do desenvolvimento, mas tem se mostrado bastante importante para o desenvolvimento de empresas.”

Aprenda como migrar para a área de TI com quem já fez

“Comecei a listar minhas habilidades, como a facilidade de estudar, saber falar sobre produto e experiência do usuário e também a sorte que eu tenho em negociações, considerando as experiências profissionais que já tive”, conta Tatiana Barros, designer, tech community manager da ZUP Innovation.

“Planejamento de vida e carreira estão ligadas, é impossível separar”, afirma Tatiana Barros. Ela já atuou em diversas áreas, mas foi como diretora de arte trabalhando com marcas, no início da era das redes sociais, que teve contato real com tecnologia e o mundo digital. “Teve início em São Paulo, o evento Social Media Weekend, de tecnologia e criatividade. Eu juntava dinheiro para ir de Salvador a São Paulo e tive a chance de conhecer várias empresas e planejar a mudança de carreira para um outro universo. Comecei a planejar carreira baseada nos níveis de habilidades que eu precisava desenvolver.”

  • Escreva quais são as rotinas de trabalho de que você gosta e se sente motivado a de fato engajar.
  • Quais são suas habilidades comportamentais e até técnicas que têm a ver com TI? Depois, construa uma lista das hard skills (as competências técnicas) que precisará desenvolver para a migração de área.

E, outra dica valiosa da recruiter Valéria: “É importante a pessoa conhecer bem os projetos e empresas em que ela quer trabalhar. Como o mercado está aquecido, os candidatos recebem mensagens o tempo inteiro de recrutadores. Então, as empresas valorizam quem de fato tem uma identificação com a cultura, com o time, com os projetos.”

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